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sábado, 20 de setembro de 2014

Entrevista com Danielle Souza

O Chocolate Quente de hoje recebe a escritora Danielle Souza!


    Danielle Souza tem 16 anos, ariana e é natural de Florianópolis/SC. Uma amante de sapatos e dias frios. Leitora compulsiva e melodramática que nunca perde a chance de ler um bom romance, evitando qualquer caminho que contenha uma livraria porque, quando as encontra, por mais atrasada que ela esteja, sente-se obrigada a entrar (e acampar) dentro dela.
    Escreve a três anos e às vezes acha que seu modo de escrever se baseia na escrita do escritor favorito do momento, Richelle Mead e Jamie McGuire. Seu primeiro livro foi escrito com sete anos, e era basicamente duas folhas de papel A4 dobradas ao meio com uma ilustração muito talentosa de bonecos palitinhos e um carnaval de purpurina, que contavam a tocante história de uma menina que perdeu o cachorrinho e o pai, o encontrou novamente.
   Escrever, definitivamente é um dom pra Danielle, depois das lindas palavras que sua mãe lhe disse, ao lhe mostrar seu primeiro livro, que foram: “Você pode ter talento para diversas coisas, mas, sempre vai ter algo em que se destaca mais. É um talento que se transforma em dom.” 

No fim da entrevista, encontram-se os links da escritora.

LA: Fale um pouquinho sobre você para te conhecermos melhor. Quem é Danielle Souza?
DS: Acho que sou uma garota meio nerd e ao mesmo tempo confusa. Eu tenho dezesseis anos, mas meus amigos costumam dizer que, por mais que eu seja jovem, tenho uma alma velha. Acho que dizem isso porque eu sou meio rabugenta as vezes. Moro em Floripa no sul de Santa Catarina, e adoro o lugar porque faça frio ou calor sempre há um lugar legal para ir.  Eu praticava natação antes de começar a escrever, e foram nove anos completamente dedicado a extravasar emoções nas piscinas, mas ai tive que me mudar e parei de frequentar a academia de natação devido a distância, logo encontrei a escrita como uma nova distração. São coisas extremamente diferentes, eu sei, natação exige do físico e do fôlego enquanto a escrita requer criatividade, mas ambas necessitam de foco e algo que sirva como incentivo para o bom desempenho, e como eu sempre fui o tipo de pessoa hiperativa e com dificuldade de controlar as próprias emoções, achei em ambos o suporte que eu precisava. Enquanto eu nadava, tinha como único foco atravessar a piscina e concentrava minhas emoções para converter a ansiedade em algo a meu favor, e agora faço exatamente a mesma coisa com a escrita. Concentro-me em uma história especifica e uso da intensidade de cada emoção para tentar transmitir isto ao leitor.   

LA: Seu primeiro personagem era sobre uma garota que perdeu o cachorrinho e seu pai o encontrou novamente, certo? O que a levou a criar este personagem?
DS: Ok, ouvir isso de alguém que não seja minha mãe é engraçado, as pessoas fora da família não costumavam saber sobre isso...
Eu não faço a menor ideia do que se passava na minha cabeça quando escrevi a minha primeira história (ilustrada amadoramente com bonecos palitinhos) aos sete anos. Naquele tempo eu nem imaginava como levaria a escrita a sério futuramente, mas talvez eu estivesse sendo movida pela minha vontade de ter um cachorro e, talvez, para mostrar para a minha prima, um ano mais velha, como eu podia escrever tão bem quanto ela mesmo estando uma série atrás dela na escola. Ser competitiva deve ter algo haver com meu signo ou com a minha genética, se considerarmos que meu pai é tanto quanto eu.

LA: Você encontra alguma dificuldade na hora de criar seus personagens ou o enredo, ou começa com uma ideia e o texto flui facilmente?
DS: Eu não tenho problema em desenvolver o tema central de um enredo. Na verdade eles vivem se formando e as vezes é isso que me atrapalha. Muitas ideias ao mesmo tempo, acabam me deixando confusa e eu nunca sei qual delas devo usar. Mas a partir do momento que tenho uma ideia fixa, com um tema estruturado, as coisas começam a ficar fáceis e os detalhes vão sendo idealizados aos poucos. Com os personagens é mais fácil, primeiro eu imagino como quero que ele seja em relação a personalidade, depois sua aparência e por fim, o que é sempre mais complicado, eu escolho um nome. Isso pode levar dias... É um saco, acho que é como dar nome a um filho, você precisa ter certeza de que aquele está bom, porque é obvio que não poderá trocar caso deixe de gostar dele. E não pode pensar só em si mesmo, tem que imaginar como os leitores vão receber esse nome e se ele vai soar bem dentro do roteiro.  É, no meu ponto de vista, a parte mais estressante na hora de iniciar uma história.

LA: O que você acha do incentivo a arte e cultura no Brasil? Por quê?
DS: Acho que isso é algo que o Brasil precisa trabalhar mais. Aqui ganhar a vida com arte, é tão difícil quanto ganhar na loteria. Hoje em dia você pode iniciar um projeto legal por conta própria, indiferente do tema que aborda, mas as chances de você ser reconhecido por ele são pequenas, além da concorrência que é grande, acho que muitas categorias dentro do ramo cultural e artístico não ganham a atenção que merecem. É trágico ver escritores, dançarinos, músicos, esportistas e outros tão talentosos sem poder lucrar com a sua própria arte, e tudo porque não estiveram em um reality show, ou receberam uma recomendação de alguém já especialista no ramo.

LA: Se alguém te pedisse um conselho para escrever, o que você diria?
DS: Antes de tudo leia. Querer escrever sem gostar da leitura é como querer ser matemático sem saber contar até dez, não vai te levar a lugar nenhum. Treine bastante também, a prática leva a perfeição e nem mesmo o grande Shakespeare se arriscou pular esta regra, ou você acha que o trágico romance de Romeu e Julieta esteve lá desde o primeiro rascunho?
Não desanime ao ouvir uma crítica seja ela construtiva ou grosseira, o lado bom de ser escritor é que a indiscrição das pessoas não fará diferença alguma no seu trabalho a menos que você permita que isso aconteça, então crie seu filtro mental para as críticas e permita que apenas as que fazem você evoluir como escritor passem por ele.

LA) É possível se sentir realizado sendo escritor no Brasil?
DS: Depende de como estamos falando no sentido realização. Acho que a literatura nacional não é bem-vista pela maior parte dos brasileiros (principalmente os jovens) devido a traumática experiência de literatura que temos nas escolas, atualmente. Entendo a necessidade de adicionar as obras clássicas em nosso histórico, uma vez que isso é parte da nossa cultura, mas vez ou outra trazer literatura contemporânea para a sala de aula não faria mal algum e ainda mostraria aos leitores, que literatura nacional pode, e vai, muito além dos clássicos rurais, palavras cansativas e romance cafona.
Então no meu ponto de vista, é preciso mudar a visão da literatura nacional das pessoas para que os escritores possam mesmo se sentir realizados com seu serviço.

LA: Como você se sentiria ao sentar numa sala escura e ver um de seus livros, transformado em filme?
DS: Acho que não existiria palavra certa para descrever o que eu sentiria. Só a ideia já me causa aquele friozinho na barriga. Seria sem dúvida alguma, um dos melhores, e mais loucos, momentos da minha vida. 

LA: Você acha que nosso cenário literário poderia ser melhor? Pois vemos muitos escritores estrangeiros fazendo sucesso entre nossos leitores, mas a mídia parece ‘esconder’ os escritores nacionais. Você concorda com essa valorização exagerada dirigida a poucos escritores?
DS: Acho que a literatura estrangeira serve cada ver mais como exemplo para escritores brasileiros, não por serem melhores ou mais originais, mas porque a mídia passa a ideia de que “se você escrever um roteiro tão bom quanto este, talvez tenha a mínima chance de se tornar um best-seller”.  O que na minha opinião é um conceito ridículo. Não se trata de ser melhor escritor ou ter uma ideia diferente, isso é naturalmente importante em qualquer lugar, seja no Brasil, China, Estados Unidos ou qualquer outro país. O fato é que enquanto países estrangeiros se preocupam em achar novos talentos e dar a devida atenção a eles, o Brasil prefere deixar por conta dos próprios escritores que nem sempre tem coragem de ir até uma editora, e quando vão muitas vezes recebem um “Desculpe, não trabalhamos com publicação independente” e são mandados de volta para a procura de alguma editora disposta a publicar sua obra, e que consequentemente não lhe consuma todo o salário pelo resto do ano. 
Em outras palavras, acho que o Brasil deveria parar de se preocupar tanto com a importação de arte, e se concentrar nas que já estão aqui, para que futuramente também possamos ver nossos livros nas prateleira estrangeiras. 

LA: Como a internet tem ajudado você a divulgar seus livros?
DS: Grupos de leitura em redes sociais e blogs são a principal fonte de divulgação. É impressionante o número de internautas a procura de uma história para ocupar seu tempo livre. Existem sites direcionados a escrita também, como o que eu frequento, que ajuda a divulgar a história a casa nova atualização. 

LA: Deixe uma mensagem para seus leitores ou um incentivo para quem almeja ser escritor.
DS: Aos meus leitores só tenho a agradecer por estarem comigo desde o início e outros por terem dado a mim uma chance durante meu processo de evolução até aqui. Espero que continuem comigo porque ainda resta um longo caminho pela frente, e também desejo que esse número cresça cada vez mais. 

As pessoas que desejam se tornar escritora, cito apenas uma das frases de minha mãe: "Você pode ter talento para diversas coisas, mas sempre vai ter algo em que se destaca mais. É um talento que se transforma em um dom" Certifique-se de que escrever é mesmo o que você deseja e trabalhe para que seu talento se transforme em um dom. 



Link da história da autora:  http://fanfiction.com.br/historia/473440/Problem_Temptation/

Link do Facebook: https://www.facebook.com/danielle.souza.121

Agradecemos sua presença aqui no Chocolate Quente do Literatura entre Amigos e desejamos a você Danielle, muito sucesso!

Entrevista por Cássia Torres ;)

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